As Causas Ocultas da Violência – Parte 2 - por Fabiana Souza

As Causas Ocultas da Violência – Parte 2 - por Fabiana Souza

"A causa última nunca é o mundo externo, que reage de acordo com leis fixas, e sim, o próprio homem que, com sua conduta, atrai sobre si boas ou más influências." - Hexagrama 15 do I CHING - Ch'ien / Modéstia

Voltamos a falar aqui sobre o desejo, que é a mola propulsora de tudo o que atraímos para a nossa vida. No artigo anterior, vimos que pensamentos violentos, manchados de intolerância, ira e ganância são a causa coletiva do aumento da criminalidade que presenciamos nas grandes cidades. Mas você sabe como os desejos são processados pela Natureza e por que costumamos atrair, exatamente, aquilo que não desejamos?

Primeiramente, é preciso entender que a Natureza não entende o significado da palavra "NÃO". A Natureza realiza o seu trabalho da maneira mais fácil e econômica possível, despendendo o mínimo de energia para a sua manutenção. A Natureza apenas é. A existência possui um significado positivo, primado pela ordem e pela simplicidade da manifestação Una. Sendo assim, toda a ação da Natureza é movida pela necessidade. 

Os nossos desejos, por outro lado, são complexos. Não compreendemos muito bem o significado da ordem, da simplicidade e da necessidade. Os nossos desejos são egocêntricos e desorganizados. Além disso, bloqueamos boa parte das nossas capacidades criativas desejando a não realização de algo que nos faça sofrer. Por exemplo, ao invés de desejarmos a riqueza, desejamos “não ser pobre”. Mas essa não é uma atitude mental inteligente.

--- LEIAM TAMBÉM: AS CAUSAS OCULTAS DA VIOLÊNCIA - POR FABIANA SOUZA ---

Há muitos anos, o poder do subconsciente vem sendo explorado por especialistas. O subconsciente é uma parte da mente humana que não julga nem analisa os fatos, tomando por verdade todos os nossos desejos e emoções. O subconsciente é o refúgio da nossa fé, das nossas crenças e das nossas convicções, sejam elas verdadeiras ou falsas. As funções orgânicas do nosso corpo também são controladas pela mente subconsciente. O seu estômago não depende de uma ordem consciente para digerir os alimentos, tampouco os seus pulmões dependem de uma ordem para respirar. Mas a mente subconsciente sabe de todos esses processos e é capaz de controlar as funções orgânicas do corpo de acordo com os nossos desejos mais profundos. Especialistas afirmam que não pode haver doença no corpo cuja causa não esteja presente na mente subconsciente. 

Todos os pensamentos negativos atraem situações negativas, assim como todos os pensamentos positivos atraem situações positivas. Por exemplo, quando pensamos “eu não quero ficar doente”, o nosso subconsciente entende “eu quero ficar doente”, porque não estamos pensando na saúde, e sim, na doença. Parece burrice do subconsciente, mas não é.  O subconsciente não sabe o que é bom ou ruim. Ele procura apenas realizar o que alimentamos em nosso íntimo. Ao pensarmos na miséria, atraímos a miséria. Ao pensarmos na doença, atraímos a doença. Certamente, quem vive na miséria e na doença tem poucos recursos mentais para pensar em coisas boas, mas a lógica é essa. Seguindo esse raciocínio, você chegará à conclusão de que a miséria e a doença são problemas mentais. Pois em grande parte, são mesmo!

Para sair desse círculo, precisamos fazer o subconsciente trabalhar a nosso favor, simplesmente, aprendendo os seus mecanismos. Quem tem a mania de reclamar da vida acaba “viciando” a mente, atraindo muitos problemas para si mesmo e para os seus familiares, pois cria padrões de identificação difíceis de serem superados. É o caso de muitas pessoas que se julgam pobres, burras, feias, infelizes, azaradas ou mal amadas.

Pensamentos do tipo: “Isso não pode acontecer comigo”, “ninguém me ama”, “eu não quero ser pobre”, “eu não posso ficar doente agora”, “o Brasil nunca vai pra frente”, “esse povo não tem jeito” são chamariscos de má sorte. 

Desejar a negação consome, desnecessariamente, a energia da nossa força de vontade. Aos poucos, vamo-nos entregando à indiferença, ao cansaço e à desistência, porque não conseguimos ver os nossos desejos serem realizados. Todavia, não podemos vencer a nós mesmos, porque não somos um inimigo a ser combatido. O que deve ser combatido são os entraves da mente, que bloqueiam a percepção da realidade e atrasam o progresso da evolução natural do ser humano.

O entrave mental mais comum é o medo. O medo sempre assumirá uma conotação negativa na mente: medo de não sermos amados, medo de não sermos livres, medo de não sermos importantes, medo de não agradarmos, medo de não sermos felizes, medo de não existirmos (medo da morte). 

Podemos tomar todas as precauções possíveis para evitar assaltos, abusos, agressões, doenças ou pobreza. Mas se não controlarmos o medo e a angústia de sermos vítimas dessas misérias, estaremos atraindo situações semelhantes para a nossa vida a todo instante. Nossa mente subconsciente toma todos os nossos desejos e emoções mais arraigados e faz todo o possível para realizá-los. Por isso, é tão importante fazer uma faxina mental de tempos em tempos. Se você está acostumado a limpar a casa, sabe que para mantê-la limpa é preciso dedicação diária. Deve-se lavar a louça todos os dias para que insetos e microrganismos não se proliferem dentro de casa. Com a mente não é diferente. O cenário que alimentamos na cabeça é exatamente o cenário que projetamos para a nossa vida.

Mas o desejo negativo pode ser ainda menos prejudicial do que desejos positivos gananciosos. Em época de grandes reivindicações populares, todos querem um pedaço de pão... Como diz o ditado, "casa onde não há pão, todos gritam e ninguém tem razão". 

Certamente, onde a fome reina, o desespero pode subtrair a razoabilidade das nossas ações. Mas a sociedade, em geral, está faminta de barriga cheia. O desejo há muito extrapolou as necessidades materiais do ser humano e a futilidade se tornou item indispensável em nossos lares, corrompendo relacionamentos e os ideais do espírito.

O sintoma mais comum do desejo desmedido é a depressão. E a sociedade está mais deprimida do que nunca, uma vez que se vê incapaz de satisfazer tantos apetites provocados pela indústria da massificação. O consumo em massa é a ordem implícita de todos os governos. A indústria precisa crescer, gerar empregos, novas famílias, novos consumidores, novos empregados, novos deprimidos. Não é para menos que a indústria farmacêutica está se desenvolvendo a plenos pulmões.

Mas como deter a indústria da futilidade? Talvez essa questão não possa ser respondida no momento. Se o passado foi substituído por novos paradigmas, dificilmente o futuro absorverá a atual concepção do mundo. Pelo curso da História, não obstante, somos levados a acreditar que a implosão desse sistema é inevitável, assim como tantos outros sistemas colapsaram com o passar do tempo. 

O que podemos fazer, por enquanto, é desejar o BEM, construindo uma rede sólida de amor e fraternidade em nosso íntimo. É possível, sim, mudar velhos hábitos! Por exemplo, ao invés de você ficar assistindo a reportagens sobre assassinatos, estupros e outras covardias, vá ler um bom livro. Promova a sua fé cuidando dos animais e das plantas. Medite diariamente sobre as virtudes do espírito: amor, verdade, justiça, lealdade, coragem, humildade e solidariedade. Aceite a sua responsabilidade na construção do seu futuro. Dedique parte do seu dia para exercitar o seu corpo. Dance, cante, sorria e volte a estudar - não importa a sua idade! Reivindique o seu direito ao sucesso e à riqueza pensando no sucesso ao invés do fracasso e na riqueza ao invés da pobreza. Neutralize pensamentos negativos de vingança e inveja desejando, imediatamente, paz de espírito às pessoas que lhe prejudicaram. Perdoe o seu passado e siga adiante. A vida flui interminavelmente. A lição mais importante para uma vida próspera é desejar o sucesso, a riqueza e a saúde para todas as pessoas, porque você deve pensar na abundância dos recursos ao invés da carência.

Em meio às extravagâncias do mundo contemporâneo, a modéstia virou artigo de luxo. Quem é modesto enxerga a vida com mais amor, pois adquiriu a paciência necessária para entender os processos da Natureza. Num dia, estaremos no topo de uma montanha. Em outro, no fundo de um poço. Mas a modéstia não se deixa abalar pelas circunstâncias externas. Quem é modesto segue firme em seu propósito, colhendo os frutos que plantou. Quem é modesto não culpa ninguém pela sua condição passada, presente ou futura, porque o seu coração sabe que a responsabilidade sobre as suas ações cabe somente a si mesmo. Enfim, quem é modesto deseja apenas que a Lei se cumpra. Para todos!

Professora de Filosofia Oriental, graduada em Filosofia pela UFRGS em 2008. Dedica-se à pesquisa e à prática da Sabedoria Oriental há mais de 20 anos. Especialista nas técnicas do Feng Shui Tradicional e na análise dos sistemas astrológicos chineses Bazi e Zi Wei Dou Shu.

Decoradora, artista gráfica e designer de peças exclusivas de decoração desde 1998. Presta consultoria residencial e comercial de Feng Shui Tradicional Chinês utilizando toda a sua experiência filosófica e estética na construção da identidade visual de empresas e na criação de projetos de harmonização oriental para comércios e residências.

Na área da Educação, oferece os serviços de Orientação Vocacional para crianças e de Orientação de Carreira Profissional para jovens e adultos. Na área da Saúde, trabalha com a Dietoterapia Chinesa baseada na análise dos biótipos constitucionais.

Dá palestras motivacionais direcionadas para os mais diversos segmentos do mercado, cursos profissionalizantes e workshops.

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